terça-feira, maio 08, 2007

Amanha




Sabes, meu amor, amanhã, já pode ser tarde demais. Nunca se sabe o que é e quando é um grande amor, nunca conseguimos descortinar os grandes desígnios da nossa existência por isso é que eles nos sucedem como partículas de pó que por vezes nos cegam os olhos. Alarmo-te para não abrires agora a janela pois o vento range os dentes lá fora, sucedem mais do que comuns partículas e eu não quero cegar os teus olhos. Deixa que eu abro a janela não tarda quando a tempestade de ideias passar, aí eu deixo entrar a brisa fresca de amanhã.

Amanhã, meu amor, vou continuar à tua espera na janela, naquela mesmo que tu querias abrir e eu não deixei, não vai estar aberta, vou estar atrás das persianas à espreita pelas gretas que deixam entrar a luz que me acompanhar na tua espera.
Amor, chamo-te amor.

Acendes mais um cigarro, mais uma aspiração de algo novo, sopras-me a pele, aspiras-me a alma, embalas-me no teu sussurrar manso e eu continuo a fixar-te os olhos até me perder neles. Ressuscita-me para a vida outra vez, assassina-me demoradamente enquanto eu caminho descalço pela calçada portuguesa sem medo de me pisar, de me atropelar velozmente.
Corre porque corre, a àgua, refresca-me a boca, aguça-me o tacto antes que te vás pela noite escura sem certeza de voltares amanhã, sem condição, sem revolução a banho de sangue inocente. Lava-me o erro das costas, morde-me o saber, morre-me nos braços para nasceres de novo num sopro de beijo meu. Toca-me o corpo como teclas de um piano ferido, cansado e gasto e fá-lo antes que o ponteiro pare na hora marcada do relógio.

Não me precisas de prometer, prefiro saborear o silêncio do vazio, do espaço que fica por saber, porque eu vou estar à janela, disso podes tu ter a certeza e à tua espera. Amanhã, amanhã, meu amor, amanhã ...
Não vou desperdiçar tempo a esperar-te, apenas preciso de me destrair a pensar como gastar o meu amor por ti, e isso só deixa-me em paz, nos braços de um anjo que aclamo ao longe enquanto espreito a tua ausência vez a vez à janela.

Se fores antes de chegar amanhã, vai enquanto durmo, no momento exacto em que os meus olhos estarão cerrados e eu estarei a sorrir, que os meus sonhos se confundem com o quotidiano, fá-lo para me seres leal, fá-lo para me deixares um resto de fé na procissão de particulas, que podem cegar os teus sorridentes olhos, que passa frente à janela.

Não te vou confessar a dor, porque o que se passa cala-se e consente-se pelas pedras da calçada à passagem do vento, as coisas são assim, o que tem de ser apenas será, não vale a pena ser promiscuo ao dizer o que é sentir a tua falta.

Nós não podemos ser felizes todo o tempo. Quem é que o disse? E se o disse, não sabe o que aconteceu às nossas vidas, nem sabe como o mundo inteiro se uniu para nos tramar mas deixa que o sol de inverno em que te conheci está a terminar, meu amor a primavera da vida é a que vale a pena de ser vivida e olha que ela pode bater amanhã na janela, sim que eu vou estar à tua espera, amanhã

Até amanhã ...

segunda-feira, maio 07, 2007

Exigir

Exigir ...

(Verbo irregular)

Formas Nominais: infinitivo: exigir ; gerúndio: exigindo ; particípio: exigido

Presente do Indicativo

eu exijo, tu exiges, ele exige, nós exigimos, vós exigis, eles exigem

Imperfeito do Indicativo

eu exigia, tu exigias, ele exigia, nós exigíamos, vós exigíeis, eles exigiam

Perfeito do Indicativo

eu exigi, tu exigiste, ele exigiu, nós exigimos, vós exigistes, eles exigiram,

Mais-que-perfeito do Indicativo

eu exigira, tu exigiras, ele exigira, nós exigíramos, vós exigíreis, eles exigiram,

Futuro do Pretérito do Indicativo

eu exigiria, tu exigirias, ele exigiria, nós exigiríamos, vós exigiríeis, eles exigiriam

Futuro do Presente do Indicativo

eu exigirei, tu exigirás, ele exigirá, nós exigiremos, vós exigireis, eles exigirão

Presente do Subjuntivo

que eu exija, que tu exijas, que ele exija, que nós exijamos, que vós exijais, que eles exijam

Imperfeito do Subjuntivo

se eu exigisse, se tu exigisses, se ele exigisse, se nós exigíssemos, se vós exigísseis, se eles exigissem

Futuro do Subjuntivo

quando eu exigir, quando tu exigires, quando ele exigir, quando nós exigirmos, quando vós exigirdes, quando eles exigirem

Imperativo Afirmativo

exige tu, exija ele, exijamos nós, exigi vós, exijam eles

Imperativo Negativo

não exijas tu, não exijas ele, não exijamos nós, não exijais vós, não exijam eles

Infinitivo Pessoal

por exigir eu, por exigires tu, por exigir ele, por exigirmos nós, por exigirdes vós, por exigirem eles


Querida Clau rnhauuuu

Eu conjuguei o verbo exigir para te demonstrar que todos nós seja em que momento for e na circunstância já exigimos. Faz parte de nós, não por egoísmo ou por qualquer patologia, simplesmente porque temos necessidade de tal por força das circunstâncias que nos trouxeram até cá. Porque te amo muito exijo que sorrias para mim pois eu passaria todos os dias do meu quotidiano a olhar para o teu sorriso e bastava-me exigir isso, minha boa amiga, para ser feliz. Pois se tu estiveres a sorrir certamente como a morte eu estarei feliz, se os teus olhos estiverem turvos com lágrimas os meus exigirão chorar a tua dor. Para o que der e vier estrelinha ...

Foi ontem e nao me quero esquecer ...

- Toma nota que quando o dia nascer eu já não vou estar aqui.
- Mas o dia já nasceu e tu ainda estás aqui!
- Porque será?
- Deixa-me só dizer-te isto. Vá mas tens de me olhar nos olhos. (risos) Vá não te podes rir. Quero fazer um acordo contigo. Mesmo que não te veja mais vamos sempre ser leais a este momento.
- Agora apertamos as mãos como dois cavalheiros muito sérios e selamos isto como deve de ser, deixa-me te beijar ...

Quando eu morrer, nao me levem flores ...

... Não é porque não goste, não, nada disso, apenas cheguei à conclusão que ninguém sabe quais são as minhas favoritas. Aquelas que eu gostava que secassem ao lado do meu corpo moribundo e que me perfumassem na passagem.
Mas porquê esta conversa agora? A esta hora? E porquê hoje? Nem eu sei, apenas as ideias sucedem-me à velocidade do som e logo agora que eu só queria era ter os pés assentes na terra. Não, eu hoje quero deixar as asas no armário.

Nascemos de um instante, de uma vontade. Crescemos em sonhos e afirmamo-nos desafiando tudo o que conhecemos até então. Um dia inevitávelmente morreremos. E nessas etapas todas vamos encontrando o destino não nas mãos mas nas faces que se cruzam no nosso quotidiano. E o quotidiano é a maior aventura das nossas vidas pois é nele que vamos encontrar alguém que nos fale de amor, nesse dia certifiquem-se que a pessoa que vos falou de amor também sabe usar a palavra amor porque meus amigos convenhamos que já chega de dissimulação. Ok! Eu neste capítulo fico-me por aqui pois ainda não encontrei a pessoa que não me queira conhecer apenas sob a pele, eu quero mais muito mais, mas também já não sei se quero ...

Quotidiano, ouvimos o despertador a uma certa hora impensável da manhã, colocamos o pão na torradeira, paramos no café antes de apanhar o autocarro, um cigarrinho ou não pelo o caminho, chegamos ao dever, vamos pondo as cusquices em dia e depois chegas ao final do dia e ouves, eu não tenho espaço para te colocar no meu quotidiano, vemos banalidades, olhamos o espelho e vamos dormir que já se faz tarde.

Talvez se fosse fácil não estaria aqui ...

Não gosto de virar as costas, sou agradecido a qualquer pessoa que passou na minha vida mesmo com aquelas que não aprendi nada, reafirmei-me. Mas o que me chateia a sério... é o amor. Já não sei se sei ou se o quero saber. Para mim a coisa mais importante na vida é a lealdade, já me trairam várias vezes (no geral), houve algumas que me respeitaram outras nem tanto, já me mentiram mas as que permanecem cúmplices são aquelas que nunca me foram desleais. A lealdade é o valor mais importante na amizade e irrita-me aquelas pessoas que passam a vida a falar mal dos supostos amigos e nunca tem as bolas no sítio para lhes dizer as coisas na cara ou então perguntar o porquê das atitudes deles. Se existe alguma coisa que levamos da vida deverá ser o amor porque é o único que não cabe nos bolsos tem de ir na alma.

Eu posso perdoar, não guardar rancor algum mas sou como os putos depois de mexer nas fichas electricas e apanhar um choque não esqueço.

Enfim desabafos ...

''As flores perfumam até as mãos que as esmagam.''

segunda-feira, março 12, 2007

O teu sorriso

A noite já ia bebida, já havia vagueado horas a fora pelas pedras da calçada da Lisboa cidade e moça, do alto à baixa. O cansaço de uma vida já me pesava nas pernas, já teria ido embora à mais tempo para o palco dos meus sonhos se não fossem os companheiros da tasca a pedir mais uns copos.

As minhas noites tornaram-se um flash de acontecimentos vários que misturam o passado num presente muito viajado para um futuro condicional ao voltar ao presente, mas a minha visão torna-se clara quando tudo parece turvo aos meus olhos. A minha respiração já ofegava pela minha sombra que tinha sede de ouvir um estranho silêncio só meu e de mais ninguém. Já não me desculpava porque eu já não tinha desculpas, já não me posso perdoar das tantas lágrimas que me turvam os pensamentos pois os meus olhos já não conseguem chorar.

De repente, um estranho cheiro a sangue, a morte, a abandono, e volta o sangue que escorre na calçada que sobe e sobe tudo num só folgo de sopro, o atrito do alcatrão estanca lentamente e vorazmente o sangue húmido quente que vai arrefecendo na descida alucinante da calçada que sobe e sobe até chegar ao cimo de um nada vazio estranhamente oco. Subitamente, o olfacto desperta o vício, acrescenta-se um estranho líquido na boca como se apetecesse lamber o chão, em vez disso, descalço os sapatos, lentamente como manda o realizador supremo, com os olhos fixos no horizonte da calçada, violentamente os atiro sem saber em que parte eles se vão perder, e uma vontade súbita de correr de encontro ao sangue que escorre na calçada que sobe e mais sobe até se perder a vista, num impulso os meus pés nus chapinham na poça de sangue que se concentrou e se atrasou em relação aquela parte que já escorre, eles pulam e saltam como se dançassem às ordens de uma brisa senhora suprema salpicando a minha pele que ainda não suava mas já libertara pequenas petículas de um suor frio que constratava com a temperatura do meu corpo. Um suspiro, um gemido, de prazer, de dor e no final um grito, e é nesse seguemento de segundo em que a alma se liberta do corpo para ir ao encontro da balança do Criador, o corpo jaz caído numa fotografia rasgada com partículas de vidros espalhadas pela brisa senhora suprema. A minha alma não tem tempo para vaguear uma vez mais pela calçada que sobe e mais sobe pelos olhos de quem a vê, antes é empurrada como que sugada para o túnel que se encontra à direita da esquerda de quem vem do centro. Sim, é aí e só aí, onde ela se arrasta até chegar ao clarão, que vislumbro a batida da vida em mais flash's variados pendurados em molduras várias umas mais acima do que outras, umas apenas caídas pelo chão, vários sons que se confudem, coincidem, se misturam, ecoam pelo túnel a fora, numa sinfonia ensurcedora desalinhada da pauta listada. Quase a chegar ao clarão, a alma, é arrastada violenta e velozmente para trás e para a frente num movimento perpétuo e repetido até ter absorvido todas as emoções que figuram os retratos mas depois pára tudo e a alma encontra-se frente ao clarão com a brisa senhora suprema a contorna-la em círculos invisiveis e perpétuos. Agora atravessa se tiveres fé ...

Já iamos embora da última caixa de música, quando me lembrei de olhar uma vez mais para trás e vejo-te a ti e ao teu sorriso, a tua cara era-me familiarmente estranha, voltei-me para a frente mas o teu sorriso consumiu-me o prazer, e voltei a olhar-te mais uma vez, continuava a andar e mais uma vez olhava para trás para revistar o teu sorriso, desta vez tu deste a entender que já tinhas reparado todas as outras vezes em mim e foi desta vez que me sorriste com vontade de sorrir para mim. Ficamos no hall, em olhares e sorrisos vários, num impasse de compasso de espera. Aí tudo ficou claro nos meus olhos turvos. Eu saí e tu voltaste a trás mas não sem antes me teres tocado a alma profundamente. A minha boca ficou com sede do teu sorriso. Cheguei a casa despi-me e cantou-me o Carlos do Carmo 'Um homem da cidade' ao ouvido até eu adormecer.
Quis sonhar contigo, esforcei-me tanto que dava voltas e revolvia todo o meu corpo na cama mas nada, apenas nublado com 99% de probabilidade de chover.
O dia acordou-me a sorrir, e a minha mente devolveu-me a fotografia do teu sorriso que me tinha omitido toda a noite passei o dia a coser pedaços de sonhos vários.
Voltei para a noite, porque a noite bem-me-quer quando mal-me-quer, fui tomar um café, quando te vejo a ti e ao teu sorriso, pensei que estava a sonhar, belisquei a minha pele, e desta vez não perdi tempo fui atrás de ti, corri para te encontrar, e cruzámo-nos uma vez mais, e uma vez mais aquele compasso de sorrisos e olhares vários mas a minha boca não conseguiu mover a língua para falar e quando dei por mim já tu tinhas ido. Quem és tu que fazes tudo parecer claro aos meus olhos turvos? Que sorriso é esse? Apenas um pedaço de céu, de sonho?

sexta-feira, março 09, 2007

Countdown to Hungria

Que levante a mão aquele que vai um ano para a Hungria: EU!

É verdade já é oficial em Agosto de 2007, este blog vai ser feito na Hungria. E só regressa a Lisboa a Agosto de 2008, se tudo correr bem!
Vou fazer um ano de EVS (European Volunteers Service) na Hungria. O projecto é espectacular e eu já comecei a contar o tempo. Cinco meses, parece muito mas ao mesmo tempo, muito pouco. Mas ... enfim ... é apenas para dizer é Oficial, segundo instruções que começem os festejos e a contagem da hora do Até já!

segunda-feira, março 05, 2007

Posso fazer greve, se faz favor?

A minha semana passada foi atormentada por essa questão. Penso que nunca fiz um post político neste blog, mas a questão tomou várias proporções que quem me conhece sabe que não deixo nada por dizer, não engulo o tal sapo.
Coloca-se então o cenário, um funcionário do estado, contratado a prazo, tem ou não o direito de fazer greve num país democrático no séc. XXI no decorrente ano de 2007, ano esse que a efemeride do 25 de Abril completa 32 anos.
Hoje em dia, pensa-se que uma greve tem apenas o objectivo de se fazer gazeta ao trabalho, que não existem motivos políticos por trás de tal decisão. Depois quem dá aulas não tem tanto direito assim como os outros funcionários de fazer porque os pais não tem onde deixar os filhos, mas esquecem-se que a greve não tem de ser avisada nem comunicada e se existem organismos que o fazem é por descargo de consciência, por consideração aos utentes dos mesmos serviços, pois a greve serve para parar o curso das coisas, com a intenção de baralhar e incomodar porque infelizmente só assim numa democracia somos ouvidos e fazemos parte do processo de alterar medidas. Chegamos a um ponto interessante da nossa democracia, não perguntamos a legalidade ou não das greves e/ou manifestações mas questionamos o quanto nos transtornam a vida( por exemplo nessa noite fui ao colombo fazer uma compra e a farmácia estava com os alarmes avariados que não paravam de apitar deveras irritante e eu comentei com o empregado que nem numa manif a tarde toda tinha sido tão irritante como aquele barulho ao que ele me responde: Ah!Então era você que andava a empatar o trânsito hoje à tarde), estamos então perante um desafio de liberdades e escolhas. Temos a balança, num lado os utentes dos serviços, do outro o patronato, se o primeiro prato da balança já tá explicado, falta-nos sermos objectivos e pensar no outro, ninguém por seu perfeito juízo vai despedir um funcionário por fazer greve mas pode incomodar muito a vida laboral do mesmo com manhas cada vez mais astutas.
No meu caso pessoal tinha de fazer uma escolha, sentia-me no total direito de me manisfestar, de passar das palavras aos actos (sim, porque se a maioria das pessoas que encontramos na rua que se queixam juntassem a sua voz e presença aos outros em vez de serem peixinhos desordeiros e nadando contra a corrente certamente seriamos mais ouvidos, mais respeitados. Deixando de uma vez a hipocrisia de falarmos de lado e por trás em vez de assumirmos o que queremos como povo e nação.) por outro tinha a corda ao pescoço a nivel laboral. Depois de muito jogo de bastidores, com muitos avanços e recuos houve fumo branco. O meu horário de trabalho dava para ir à manifestação e voltar a trabalhar e assim foi fiz a maratona num dia.
Cheguei ao encontro dos outros manifestantes, primeiro a escolha dos tambores, depois a ida para o autocarro, esperar os outros porque não os deixavam sair da escola para a manifestação (mas eles vieram com a sua força de vontade). Depois iniciamos viagem, deixamos os mais idosos, que não podiam andar mas a sua motivação era mais forte, na Assembleia da República, depois nós fomos deixados na Av. da Liberdade e os outros seguiram para o Saldanha. Quando começamos a descer a Av. da Liberdade para encabeçar uma das alas da Manif, o espírito começou apoderar-se de todos nós, sentiamo-nos livres e com força para demonstrar o nosso descontentamento a cada batida no tambor. Começamos a treinar as palvras de ordem: Sócrates, escuta, os trabalhadores estão em luta ; Quem luta sempre alcança, queremos a mudança; Entre muitos outros, depois havia que acertar o ritmo dos tambores, a adrenalina estava no máximo, ainda estávamos em compasso de espera antes de arrancarmos e outros manifestantes juntavam-se a nós.
Depois começou a subida até à Assembleia, continuando com as palavras de ordem e as batidas frenéticas dos tambor. Eu que nunca tinha tocado tambor aleijei váriuas vezes as mão por culpa de ser zarolho ... eheheh.
Infelizmente não cheguei à Assembleia fiquei pelo Largo do Rato pois tinha de ir trabalhar ainda, mas antes ainda gritei:-Mentirosos!
Depois conseguir chegar ao local de trabalho foi outra aventura, a cidade estava um caos mas mesmo assim consegui pois provei que fazer greve não é uma questão de gazeta é uma questão de identidade ou posição.
Mas a verdadeira felicidade chegou quando os telejornais invadiram a minha televisão fiz parte da maior Manifestação dos últimos vinte anos. Acho que isso quer dizer qualquer coisa, não?

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Problemas Matematicos - Cap. V

Desço a rua em passos largos, vejo um táxi ao fundo começo acenar com o intuito de o fazer parar. Entro e peço-lhe para parar frente a minha casa, estava relativamente perto mas decidi ir de táxi, não queria correr o risco de encontrar alguém conhecido pelo caminho pois conversar era o que menos me apetecia e como eu tenho a sorte de chamar o que não quero, antes prevenir que remediar. Pelo caminho a memória convidava-me a recostar e visualizar momentos vários em que tu aparecias sem fazer sentido, fechava os olhos e ainda era pior, para os meus botões confessava a sorte de ter uma garrafa de whisky de reserva, sempre, em caso de emergência e este era um. Entretanto cheguei, o café lá de esquina já abrira portas, comprei um maço de cigarros, normalmente não fumo, mas estas são as minhas únicas drogas capazes de me fazer ficar inconsciente e sem pensar, que é o que quero neste momento.

Abri a porta de casa, atirei tudo sei lá bem para onde, de repente, uma vontade súbita de lavar o meu corpo, de expulsar o teu cheiro, de trazer o meu de volta, corri para o banho, deixei a água a correr e olhei para o espelho, a minha alma não se calava, abri o meu coração e não sabia o que se passava com aquele sentimento. Tive raiva do reflexo que o espelho me devolvia, mandei um murro ao espelho e fui ligar música, bem alta, para me afundar nas melodias, para não ouvir nada, nem propriamente ouvir os meus pensamentos que falavam bem mais alto do que a minha voz, entrei na água a ferver mas não fugi da mesma precisava de me punir. Estranho amor que me retaliava.

Ainda foi lá a vizinha do primeiro andar bater à porta mas que se lixasse, eu tenho para mim que em todos os prédios a vizinha embirrenta é a do primeiro andar, a que sabe tudo lá no sitio, a que nos inferniza a vida, que conhece o barulho dos nossos passos a subir as escadas e que ainda por cima os sabe distinguir, que passa a vida a estender sacos de plástico à janela só para ir vendo qual o último modelo do carro que o vizinho do quarto andar comprou, a que ao teu bom dia dá logo aquele sorriso a dizer entre dentes que quando te vir pelas costas e encontrar a do segundo andar vai lhe contar umas certas coisas tuas, só dá vontade de saber os podres todos da sua vida mesquinha e confrontá-los um por um na cara parva da senhora doutora lava escadas, mas para quê se ela já vive na sua própria hipocrisia, na tristeza de uma vida que não suporta, logo vive a vida dos outros para se esquecer da sua própria.

De roupão, já com a garrafa na mão e com um cigarro na outra e gole a gole, cigarro a cigarro, lágrima a lágrima voltavas para me atormentar e adormeci contigo na ressaca.
Acordei com a cabeça a zumbir de dores mas também com um toque de telemóvel que não era o meu, o telefone fixo também tocava simultaneamente.
- Fodasse, nunca mais tenho juízo na puta da vida – Dizia enquanto procurava pelo estranho som que não conhecia deixando para o voice mail o atendimento do fixo.
Incrédulo, atendo:
- Sim …
- Boas! Já vi que somos dois que se o prédio caísse durante o sono íamos com ele também.
Não respondi e ele continuou.
- Bem, em uma tarde fiquei a saber mais de si do que uma noite inteira a ouvir os teus gemidos.
- Não sabia que era palhaço! -Apenas consegui dizer isto pois interrompeu-me continuando o monólogo.
- O seu editor ligou uma centena de vezes a perguntar pela coluna, o teu encenador perguntou porque é que não foste ao ensaio, e tens umas amigas atrevidas, hummm… E além disso ainda me roubas o telemóvel e sais sem um bilhete, sem um obrigadinho.
- Desculpe mas deve estar um pouco equivocado com a minha pessoa, o telemóvel foi pura distracção, aliás, não tinha o direito de atender o meu telefone e não tinha de lhe dar explicação alguma.
- Ah! Estás muito nervoso …
- Olha vamos mas é ao que interessa, quando te posso entregar o telefone?
- Venha cá ter a casa, não me diga que já esqueceu o caminho de volta?
- Não há volta nem meia volta, combinamos na esplanada onde nos vimos daqui a duas horas, pode ser?
- Já vi que preferes sofrer de amnésia do que de amor?
- Não me conhece de lado algum para me julgar ou para tecer qualquer comentário à minha pessoa!
- Ok! Daqui a duas horas e veja lá se não se atrasa.
- Porque senão… Esteja descansado pois eu não gosto de perder tempo e nem de fazer aos outros o que não gosto que me façam a mim.
- Quer que envie a sua candidatura para os Nobel?

E desliguei o telefone porque aquilo me estava a irritar profundamente, eu já sabia que me esqueceria de alguma coisa ou que faria alguma merda para não variar mas o que me chateava a sério era o facto de agora não poder fugir como faço sempre, agora tinha sido apanhado na teia e tinha de enfrentar o touro pelos cornos e logo eu que detesto a tauromaquia.
Bem liguei o voice mail, o meu editor fulo, o meu encenador fodidíssimo, a Paula a convidar-me para os copos e a saber se a noite tinha sido longa para me ter baldado ao ensaio, a mãe a saber se tinha jantado bem…
- Que merda…
Mas a vida continua, fui para o duche, vesti-me, abri o portátil enviei a coluna com uma nota de desculpa lá chefinho mas não me despeças, de seguida liguei para o Pedro a pedir desculpas pela falta injustificada e intolerável. Peguei no telemóvel para não me esquecer, depois andei à procura das chaves por todo o lado, lá as encontrei, olhei para o relógio ainda estava a horas e fiz-me à estrada.
Cheguei e tu ainda não davas sinais de lá estar, sentei-me e pedi um café, paguei-o logo não fosse ter de sair à pressa, a ocasião faz o ladrão já dizia o povo, e depois senti a tua mão a pousar no meu ombro, estremeci.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Sim porque ...

Ninguém no seu perfeito juízo poderá ser a favor do Aborto. Ninguém quer ser o rei Herodes com medo do messias e fazer uma chacina à natalidade.
Agora o que queremos é usufruir o que os cravos nos trouxeram, liberdade, liberdade sobre o nosso corpo, sobre a nossa mente, sobre a nossa saúde.
Sim porque o que está em causa não é sermos assassinos é sermos tolerantes com quem decide conscientemente.
Poque temos de acabar com a hipocrisia que governa este país, não será por votarmos sim que toda ela desapareça num sopro mas vai despertar, sem dúvida, os nossos pulmões por respirarmos uma brisa de liberdade.
O voto no sim é para aqueles que não devem penalizar e também não o querem, é para aqueles que acreditam que as pessoas auxiliadas podem fazer as suas escolhas mais conscientes.
SEM DÚVIDA ALGUMA, SIM!

Open or Close

Geralmente existe uma menina muito pobre, que vive uma vida muito madrasta e nesse quotidiano sonha pelo amor verdadeiro, depois a história narra algumas das aberrações que a rica menina pobre experiencia até que num precalço do destino perde-se de amores por um príncepe encantado do qual não sabe a sua verdadeira identidade. Qual não é o nosso espanto, nos olhos das crianças que fomos, esse amor é correspondido num piscar de olhos. A história então continua, de capítulo em capítulo, com encontros e desencontros de um verdadeiro estranho e arrebatador amor. Finalmente a Fada Madrinha sempre ausente e distraída acorda com as já milhares de lágrimas derramadas pela menina, que na verdade sempre teve sangue azul a correr nas veias, lhe dá um empurrãozinho para a chamada felicidade. Assim ela alcança os sonhos que tanto lhe molharam a almofada, o amor que ela alcançou junto do seu príncepe arrebatou o coração daqueles que a rodeiam, é tempo de perdão e arrependimento. E assim eles foram felizes para sempre! (Ponto final, parágrafo)

Em Lisboa, nos dias de hoje e também nos de ontem, o Pedro e o Francisco estão na mesma discoteca, a mesma tem duas pistas, um em cada uma caçando as presas que ainda lhes caem nas mãos, passam um pelo outro e cumprimentam-se como dois amigos comuns que se encontraram ali por mero acaso.
Na verdade eles vivem uma relação de quatro anos sensivelmente, a chamada relação aberta.
Continuando a narração, os dois beijam, fodem o que bem entendem e o que quiserem, afinal, vivem uma união de companheirismo em que cada um vive a sua realidade sexual e afectiva, lá vez a vez juntam seus pares para uma sessãozeca de hardcor, e terminam os dois na cama com um beijo de boas noites na posição fetal. Dizem que vão ser felizes para sempre! (Ponto de exclamação)

Perto do Porto, não sei precisar o momento de tempo mas dura até hoje, uma jovem mulher intelegente, um rapaz que teima em não largar as borbulhas vivem um jogo de espelhos daqueles da extinta feira popular. Ela declarou-lhe o seu amor, ele voltou-se e desculpou-se com a namorada para quem se recolheu como porto de abrigo. Ela ainda sonha com ele na almofada e fora dela. As acções dela não lhe são indiferentes a ele, ele continua lá à espreita, como na savana o predador ainda não tem fome mas quer guardar a presa e digerir a que ainda tem no estômago. (Vírgula)

De volta a Lisboa, fomos de Alfa-Pendular e já voltamos, a Mar e o Alexandre estão a tomar café na Baixa, depois de muitas semanas de ausência dele mas de presença de sms a declarar o seu imenso amor. Ela está desconfiada, ele insiste a dizer que não é casado, mostra-lhe o B.I., mostra que não tem marca de aliança no dedo, demonstra mais uma vez o seu amor a dizer que não se esquece dela porque ainda tem a sua fotografia na carteira. Eles vão embora do café, ele cavalheiro paga a despesa, partem para a cama dela. Ela leva-o até ao carro e tira-lhe a matricula. Afinal o carro dele está em nome de uma mulher ... (Ponto de Interrogação)

Há uns anos atrás, numa cidade qualquer, o Ricardo e o José vivem uma relação bonita de três anos. Mais uma ida ao cinema, um café e o Ricardo leva o namorado a casa prometendo-lhe que assim que também chegasse ligava a desejar bons sonhos. E assim era, mas depois desligava e recebia outros e outras que lhe desejavam pessoalmente bons sonhos. (Ponto final)

A Ana é casada há cinco anos com o Pedro, conheceram-se na escola, prosseguiram o namoro na faculdade, casaram e pensaram que seriam felizes para sempre. O Pedro confortavelmente acredita no amor de Ana, ela sente-se cansada com vontade de viver aquilo que o seu amor a Pedro não deixou. Ela conhece a Carla ambas iniciam uma amizade e há uma noite, sempre uma noite, em que tudo o que desejavam transborda do copo para a cama. De seguida fez as malas e deixou um bilhete ao Pedro a dizer que o amou mas agora era a vez de se amar a ela própria. (reticências)

Nascemos de um amor, ou de uma imagem nitida, ou não, dele. Crescemos a transbordar ou com falta dele. Ouvimos, contamos e construímos histórias em que no fundo do poço ele lá está o amor, fazemos tudo isto mesmo sem bem saber que forma tem ele nas nossas mãos, vamos moldando-o como o oleiro com o barro.
Sei que não sabemos tudo o que o amor é, temos direito a nos enganar mas não aos outros ou vice-versa. O amor é ... ficamos gagos ou então disparamos uma resposta tão rápida como a própria sombra.
Geralmente aprendemos nos contos infantis, depois seguimos atentamente os capítulos da novela, embalamos nas sessões de cinema, compramos manuais galardoados com nobel, também compreendemos detalhes nas cusquices de café mas falta sempre a nossa acção consciente ou inconsciente, por isso quem pode atirar a primeira pedra.
Começamos no ponto de exclamação, depois vêm as vírgulas, existem momentos com pontos de interrogação e por vezes colocamos um ponto final mas normalmente sentimos a necessidade das reticências. E haverá o dia que colocamos o ponto final, parágrafo.
Morremos por ele, não morremos sem viver um em grande, afinal o que é amor ...
Tudo ou nada ...

sábado, dezembro 16, 2006

Reencontro

A bem ou mal, hoje cheguei à conclusão que Lisboa já não é uma aldeia, subimos de categoria, meus amigos alfacinhas, agora já podemos dizer que vivemos numa metrópole toda janota. Claro que vou explicar porque digo isto ...

Noutro dia estava eu muito bem de prancha na mão a surfar pelas milhares de ondas desta aldeia global quando recebo uma mensagem de alguem que já não via à três anos atrás, um caso do passado para ser mais concreto. Na minha ideia essa pessoa tinha ido para fora de Lisboa, na verdade, tinha ficado cá na mesma cidade do que eu e nunca nos encontramos nem com amigos em comum nós nos encontramos. Sinceramente, deve ser o meu lado provinciano que me leva a ter saudades de dizer bom dia a todos ao meu redor.
Voltando à mensagem ... vinha com o número de telefone agregado, eu guardei-o e adicionei-o ao msn, fiquei naquela de ligar e até dizer olá mas sentia-me tonto de falar com alguém três anos depois ... E assim permaneci até que uma janelinha do canto inferior direito gritava olá. Conversa de três anos para pôr em dia no msn ... vai lá vai ... doí não doí, bébé ... Mas vou contar a parte mais importante para dar seguimento ao q venho contar neste post.

' Então e amores? '
' Ah! Eu já não acredito no amor. '
' Eu acredito. '
' Quiça se não és tu que três anos depois me vais fazer voltar acreditar no amor ... '
( ... )
' Então onde estás? Que andas a fazer agora? '
' Tou em casa, mas vem cá uma amiga e depois vou dar aula. ' - (Desculpa mas eu menti-te discaradamente, não havia amiga nenhuma, apenas era o meu receio que falava mais alto ... nem sei bem porquê ...)
' Temos de combinar qualquer coisa ( ... ) '

E lá se foi, e eu a recordar algumas coisas fiquei ... Algum tempo depois recebo uma sms a perguntar se a minha amiga ainda lá estava e num impulso peguei no telefone e liguei a perguntar se agora era dado aos ciúmes, desatamos a rir, num sorriso de criança tonto e numa rajada de brisa estavas aqui. Quando te vi ria-me como uma criança no circo, os meus pés fugiam-me do chão, eu estava nervoso, aliás, antes de te abrir a porta olhei-me muitas vezes ao espelho perguntando à alma se estava bem ou mal. Mas no etc acabamos por nos beijar, ai o meu coração voou não sei bem para aonde.
Entretanto, foste levar-me à escola, os meus putos aguardavam-me com aquele sorriso sem o qual eu já não consigo viver mas o teu sorriso levei-o nos meus lábios para mostrar a todos os que por mim passavam. Logo a seguir às aulas, não aguentei e liguei-lhe a dizer que tinha pensado nele, que nem tinha dado a aula como deve de ser, e aí pareceu-me que tinhas sido tu a deixar a porta aberta quando me incentivaste a ligar-te, na manhã seguinte contava as horas no relógio para te ligar pois não podia ser nem muito cedo nem muito tarde mas tu não atendeste e eu senti-me perdido sem saber se insistia ou não. Acabaste por me ligar para combinar nos vermos mas não decidimos nada, esperei como me pediste mas nada e depois enviei-te eu um sms a perguntar, voltaste a ligar a dizer q estava complicado mas já voltavas a ligar mas não ligaste, mandaste uma sms a dizer q não dava e dps nos viamos sem data à vista, ainda mandei-te uma a dizer queria muito estar contigo e acordar ao teu lado mas não me respondeste e todo eu ficou triste, meti-me na cama logo de seguida e dormi a fazer conjecturas.

Acordei e deu-me para isto, pois não sei se insisto ou se fico por aqui ... enfim, cenas dos próximos capitulos.
Agora confesso-te uma coisa, só a ti, há uma parte de mim que ainda acredita no amor mas eu não gosto de deixa-la à solta, quando os meus olhos tocaram nos teus ela libertou-se de mim e agora não se quer recolher.

E no final seremos nós uma metrópole ou não temos tempo para os outros, para vivermos uns com os outros ... ?

quarta-feira, novembro 01, 2006

Problemas matemáticos - Cap. IV

 

Tu olhaste, uma vez mais, para mim, tão profundamente, que a minha boca não conseguiu falar, os meus joelhos tremeram, eu já não respirava, o meu coração batia velozmente como se no próximo segundo parasse tudo porque eu já me tinha afogado nesse teu olhar azul de imenso mar, já me perdera em ti para nunca mais voltar a mim.
Então sussurraste ao meu ouvido dizendo que o meu silêncio consentia o teu pedido.
Num ápice as calças já estavam nos tornozelos, não dei por ficarmos com os corpos despidos da vergonha, os teus braços seguravam o meu corpo, não havia tempo, nem a noção do mesmo. É estranho como o beijo de dois seres estranhos que se conheciam há um par de horas era tão cúmplice, tão certo… Bem… Tão mágico que me perdia nos sucessivos beijos que simultaneamente entregávamos. O beijo é a chave da fusão das almas, é o passaporte para uma viagem que na nossa história não teve regresso. Já houve em tempos que a coisa não corria bem se o beijo não correspondesse à embalagem ou pelo menos à ilusão que construímos enquanto jogamos às cegas a sedução. Contaram-me que os nossos lábios têm 33 pontos nervosos que decidem a coisa… Acredito muito nessa teoria!
O tempo passava, nem sei se veloz ou pausadamente, não consigo descrever o compasso da nossa entrega. Nunca trocamos uma única palavra durante todo o tempo como se os nossos corpos falassem por nós, não foram necessários o gosta disto, quer aquilo, prefere assim ou aqui, ou acolá.
Olhei a janela a noite já tinha caído, deixei-me ficar na cama sob o teu olhar, velaste-me até cair nos meus sonhos, só me lembro do teu olhar penetrando todos os meus poros enquanto me afagavas os cabelos e a minha pele se aninhava na tua.
Despertei com aquela sensação com que acordamos numa cama estranha à nossa, numa almofada que nunca conheceu o salgado das nossas lágrimas, assustado quase como que desmemoriado, completamente à toa do que fazias a dormir ao meu lado, ainda por cima a sorrir sentido segurança de partilhares o nosso momento mais íntimo, o sono, mais do que aquilo que tínhamos feito horas antes. Senti-me errante, um cavaleiro que tinha perdido a espada na batalha e num impulso de loucura, raiva de mim mesmo, também, contrariando tudo aquilo, feliz e livre como se o meu espírito não mais morasse no meu corpo, vesti-me peguei nas minhas coisas atabalhoadamente e saí não sem olhar uma vez mais para ti.
Desci as escadas como se estivesse embebido, tonto… Nada na minha vida se comparava com a grandiosidade do momento que tinha partilhado contigo, apetecia-me mais daquele veneno mas ao mesmo tempo eu não podia, eu não tinha direito a isso. A culpa desse ressentimento é da merda dos contos de fada e mais o caraças do foram felizes para sempre, ensinam-nos tudo até chegarmos até esse ponto final mas o que fazer no próximo parágrafo. Posted by Picasa

quinta-feira, agosto 10, 2006

Problemas Matematicos - Cap. III

Abriste a porta num piscar de olhos, subias as escadas numa correria como se existisse um pódio frente à porta de tua casa. Eu tentava olhar para tudo e tentava travar aquele sentimento que me impulsionava a seguir-te mais a mais perto. Consegui travar, tentando evitar uma colisão fatal da qual poderiamos não mais regressar, ao reparares que já não te seguia voltaste atrás para me vires buscar, afinal tudo o que à momentos queria estava à distância de meia dúzia de degraus.

- Que foi? - Perguntaste-me com o olhar quase ferido.
- Eu ... penso que é melhor ficarmos por aqui - balbuciei, virando costas.

Tu não deixaste, agarraste-me o braço como se já fosse pertença tua, viraste o meu corpo contra o teu e colocando a tua mão na minha nuca beijaste-me velozmente. Somente esqueceste-te que em Lisboa cada prédio tem um assombro nas paredes que parecem ter vida própria e eis que se abre uma porta, rápidamente deste-me a mão e corremos como dois miúdos que roubaram um chocolate na loja do bairro e como se toda a gente dali já soubesse a marca do chocolate que tinhamos roubado, escondemo-nos nas masmorras do teu castelo. Fechas-te a porta com o meu corpo contra o teu, levantaste-me o queixo e continuamos o beijo que as sombras do teu prédio interromperam.
No meu pensamento, ainda não era tarde para fugir, para resistir aquilo que eu sabia estar apoderar-se de mim. Porque eu sou assim, semeio-me no vento e depois deixo-me colher pela tempestade, apaixono-me num impulso, alias, não vejo que um amor se possa construir passo a passo como um puzzle, para mim tem de existir aquela fórmula quimica que nem os cientistas ainda descobriram os ingridientes.

- Desculpa mas eu tenho de ir, deixa lá o café! É melhor eu ir porque assim pode ser que eu nunca mais volte.
- Não te estou a entender, afinal, não querias isto? Picaste o meu anzol e agora queres ser esguio nas minhas mãos?
- Eu posso magoar-me com isto e eu não quero mais remendos no peito.
- Ouve tudo isto é um risco, agora se não estás disposto a correr este risco ...

E abriste a porta para me colocares contra a espada e a parede assim num remate colocaste-me em cheque-mate, como se já me conhecesses como a palma da tua mão sabias que eu não resitia a um desafio a ser posto à prova. Eu permanecia parado olhava para a porta aberta e para ti ao lado dela. Já não tinha mais tempo para ficar em banho maria tinha de decidir.

quinta-feira, maio 25, 2006

Problemas Matemáticos - Capítulo II


O teu olhar aproximava-se cada vez mais do meu mas ainda só me olhavas vez a vez, escondido atrás do "bendito" jornal. Eu contorcia-me como um trapezista de circo na cadeira só para não me irromper mais uma vez pelo "bendito" jornal. E permanecemos naquele jogo até eu perder a paciência ...
Com a minha mania de ajudar os empregados de mesa fui ao balcão buscar a bica, tu pensaste que eu me tinha ido embora, então levantaste-te e foste atrás de mim mas com o que tu não contavas era que eu voltava e que a tua vitória até então passaria a ser um empate. Quando voltava para a minha mesa tu estavas diante de mim e eu tremi do pés à cabeça, num arrepio que não mais voltei a sentir, e está claro que atrapalhado derrubei a chávena de café em cima de ti. Não foi muito romântico, tenho de te confessar, que a primeira palavra que me disseste a olhar mais dentro dos meus olhos fosse merda.

- Merda!
- Peço imensa desculpa! - disse não contendo o riso incontrolável dos nervos.
- As desculpas evitam-se...
- Tem dias mas fique tranquilo que eu pago a conta da lavandaria.
- Também não é preciso tanto. Eu moro aqui perto por isso troco de camisa num instante.
- Se assim o diz, acredito em si. Mas peço-lhe desculpa mais uma vez e , também, pelo riso ...
- Não tem importância, afinal o menino também perdeu ...
- O quê?
- O café!

Cabrão, pensei eu, logo agora que eu tinha empatado o jogo, vem marcar um golo nem os meus festejos tinham acabado. Ele foi embora e eu ainda fui buscar mais uma bica, só para não dar a parte fraca, é que no entretanto tinhamos a esplanada toda à espera de um espetáculo de rua.
E fui, andando pelo passeio a fora, furioso comigo mesmo, já a remoer as minhas dores com os meus botões quando tu me apareces de uma esquina e voltas a tropeçar em mim.

- Bem já vi que hoje não me livro de si ...
- Igualmente - sorrio ironicamente.
- Por acaso vinha a pensar em si e naquela treta de ler o jornal ao contrário ...
- Não se incomode tanto a pensar nisso, afinal não é ciência nenhuma e eu só disse aquilo para meter conversa consigo, algo que não consegui por isso se me dá licensa - disse isto tudo num único bafo, corei, e logo eu que nunca corava. Tentei ir embora, mas ...
- Ai foi. Não tinha pensado nisso.
- Pois, então e que vai fazer agora, esmorrar-me?
- Não sou adepto da violência.Antes vou pagar-lhe um café já que perdeu o seu por minha causa.
- Também não se iluda tanto, é só um café ...

E antes que eu podesse dizer qualquer coisa mais ele pegou-me no braço, decididamente, levando-me, eu já não reflectia apenas o seguia. Só depois reparei que ele ainda tinha a camisa suja de café e que estavamos parados frente a um prédio do qual ele tinha a chave da porta...

E o próximo episódio está quase a chegar ...
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quarta-feira, maio 17, 2006

Problemas matemáticos - Cap I - Estreia


A hipotenusa é igual à soma dos dois catetos ao quadrado, o triângulo que tu criaste não existe matemático algum que o consiga calcular nem mesmo com o Teorema de Pitágoras. Esse mesmo problema matemático que me deixaste nas mãos como que por herança, como que uma fotografia esquecida pelo chão aquando levas as malas pela porta da rua para não mais voltares. O que fazer com ele? Tentar resolve-lo? Já rabisquei mil hipóteses e todas elas me levam ao zero como resultado final. As folhas de papel amachucadas acumulam-se pelo chão da casa que deixaste à horas, sim para não mais voltares ...

Nessa tarde, andava meio que agitado, percorria a cidade à procura de tudo e ao mesmo tempo de nada. Parei para um café ao sol e lá estavas tu, de óculos de sol, a ler o jornal atentamente como se lesses a alma. Reparei em ti, como eras lindo, como o teu sorriso se iluminava quando passavas os olhos pelo horóscopo (Mais tarde virias a dizer-me que eram os melhores cartoons alguma vez inventados!) , como mexias o café decididamente convicto. Continuava a olhar na esperança que me retribuisses o teu olhar ... Mas tu parecias não queres voltar do mundo que o jornal te mostrava ... Não resisti, eu tinha de intervir, decidi interromper a tua viagem ...

- Já tentou lê-lo ao contrário? - disse-lhe.
- Perdão!? - respondeu prontamente ainda meio a cambalear.
- O jornal ...
- Sim eu percebi ... Apenas não compreendo onde quer chegar com a sua questão.
- É apenas um conselho, penso que é mais divertido. Vá experimente, vai ver que não dói nada e...

O round 1 ganhou-o ele, voltei ao meu lugar, só me apetecia que o terramoto voltasse apenas no local onde as minhas tropas assentavam e me levasse dali. Como eu não iria dar a parte fraca permaneci no posto de vigilia a olhar a cidade e vez a vez para ti ... e numa ou outra vez apanhei-te a olhares-me e de cada vez com um olhar diferente como se existisse uma evolução no que pensavas a respeito de mim.

Não percam o próximo capítulo
porque nós também não ...
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domingo, maio 14, 2006

Fica comigo esta noite ...

Quando te questionei se te podia pedir um favor, fizeste questão de sublinhar que não me davas o teu número de telefone, doeu pois aquilo que iria pedir era simplesmente que ficasses comigo esta noite pois não cheguei a pedir, balbuciei qualquer coisa que acabaste por cumprir mais tarde.
Nesta mesma noite que cruzei o teu destino, que te perdi sem nunca te ter tido nas mãos, em que me doí a ausência de uma presença que nunca tive. Parece hipérbole, até poderá ser, talvez elevada ao quadrado pela agonia que o amor já me provocou outrora.
Depois desta noite ficou mais certo que não vou conhecer a raiz quadrada do amor mas também não é novidade para mim é mais uma prova para um julgamento que se torna tardio. Algo que irei espetar na face de Deus quando ele me receber no seu sorriso sincero e me der o baloiço que tanto lhe pedi, sempre que fechava os olhos e dirigia o queixo para tecto do meu quarto improvisado juntando as duas mãos com fervor acedia com fé.
Mais uma volta, mais uma viagem, também não me canso, nem me cansarei de acreditar que será na próxima vez que fizer as malas.
Voltando a ti, despertaste-me a curiosidade mas fizeste-me doer, será melhor não me acompanhares mais, afinal eu sou um louco e gosto de sê-lo, um visionário respirando utopia atrás de utopia. Por isso é que não tenho medo é pelas quedas que já dei que o corpo ficou viciado. Palpitou-me durante a nossa conversa que não iria despir o véu que nos separa ... E mais, tu confundes-me os sentidos, dás-me insegurança e com isso fazes-me errar na ansiedade.
Que os teus sonhos sejam mais acesos que nunca, que os teus passos permaneçam firmes na passagem pelo destino.

sábado, maio 13, 2006

Ando pela berma, os carros apitam, as bocas assobiam ... nem ligo ... preferia que me estendessem a mão. Deambulo como um mendigo, mendigado o amor que não tenho ... Tropeço na confusão

Entre tantas mensagens que recebi, a tua fez-me arregalar o olho, encher a barriga ... se existem palavras que nos beijam, as tuas beijam como o mar quando se enrola na areia. Dizes que és aquilo que eu procuro e que só me resta avaliar ...
Andamos desencontrados no tempo, no espaço ... é tudo tão grande ...

Toda a tua vida é um profundo segredo para mim, não conheço os teus gestos, as palavras que mais empregas na tua linguagem quotidiana mas é a pensar nisso que a minha alma se embala e adormece. Esperando uma nova mensagem.

Agora só o teu desejo me parece real, só ele me fez despertar ...

quarta-feira, maio 03, 2006

Regresso

Tinha -me proposto a dormir, dava voltas na cama, ao meu lado o corpo dele não me aquecia nem me arrefecia, tentava sonhar um sonho bom mas ao invés, sonhava a morte de alguém e que o meu telefone tocava para me avisarem da tragédia.
O relógio já tinha dobrado a uma há alguns minutos, enquanto lutava contra o sonho o telefone tocava, assustado não quis atender, mas ele continuou, do outro lado a Jninha contava-me que lhe tinhas ligado várias vezes a pedires o meu número com urgência.

Desde que foste para os lados da cortina de ferro já foste assaltada várias vezes, por isso o teu telefone onde tinhas o meu número já não existia, eu e a gó andamos preocupados, não sabemos exactamente como vives por aí, sabemos por alto algumas coisas mas ainda assim... Por mim podem inventar x coisas modernaças para vivermos numa aldeia global mas nada é igual como o olhar de alguém que ao vislumbrarmos tiramos o raio x e analisamos num instante o estado de espírito de alguém.
As nossas vidas são diferentes desde que foste embora, aconteceram uma sucessão de acontecimentos para isso, mas o nosso amor por ti nem numa grama se alterou, confesso que fomos por vezes um pouco egoistas a rumarmos na nossa maré sem olhar para o teu mar de vez a vez...
As festas nunca mais foram as mesmas sem ti, o teu cabelo no meio da pista era sempre o farol para ninguém se perder numa noite de copos.

A Jninha estava aflita, não estava a compreender nada do que se passava, disse que depois recebeu uma chamada em que ouviu o teu nome ao fundo de um número fixo português, eu não queria acreditar no que ouvia, parecia tudo muito longa-metragem para ser verdade mas ainda assim arrisquei que aquele número de telefone era de uma cabine telefónica no Aeroporto da Portela, e que tu estavas em portugal, como se o meu coração sentisse que o teu estava mais perto. A partir daí começaram as buscas para te encontrar, liguei para todos, tudo dormia sereno, apenas eu e a Jninha permaneciamos na busca. Ligava para o teu número hungaro que não me dava sinal algum, lembrei-me de te enviar uma sms para me ligares, não tardaste a responder-me do telefone do H para o qual já tinha ligado sem resposta alguma, voltei a ligar e ouvia tua voz, as lágrimas diagnóstico da saudade não tardaram em cair. Combinamos almoçar no dia a seguir, na manhã seguinte todos ligavam-me a saber o q se passava: a Gó tinha acordado a meio da noite sobressaltada ( é assim que se manifestam os sentimentos por alguém ligado ao nosso coração como veias, nós sentimos que tu nos doías numa parte qualquer do nosso corpo). Contei rápidamente tudo à Gó e voltamos à busca de ti pois agora tinhas desaparecido novamente, a Jninha também ligou e a M. fez o mesmo. Agora estavamos novamente de mãos atadas, não sabiamos se os teus pais sabiam e não queriamos ligar a perturbar e criar algum equívoco. A mim só me doía a tua ausência tão perto. Por fim a Gó descobriu-te, tinhas ficado a dormir no corpo do H, do homem que amas e por quem fizeste esta maluqueira.
Afinal, já tinhamos saudades dos teus distúrbios, miúda... Agora estás aqui ao pé para a nossa mão, jamais te vai acontecer coisa alguma, voltaste a casa, à nossa muralha.
Com muito amor, André

domingo, março 19, 2006

sol

ola meus amores.....
saudades...e assim que me sinto....com saudades...tao longe de tudo e de todos....
hoje apareceu o sol aqui,ate me parecia que estava ai ,com voces,a passear
beijinhos
adorovos muito

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Parabéns à Gó!



Happy birthday mrs Gó! Happy birthday mrs Gó!
Happy birthday to you...
Eheheheheheheheheheheheheheheh
Vivas!

Sim, eu sei que esta foto está horrivel mas também são recordações das nossas bebedeiras ...
A culpa garanto é da sangria, alias somos pessoas bonitas.
Que dizer de ti, bem teria tantas coisas agradáveis a dizer que nem sei por onde começar.
Sim, Gó tu és daquelas pessoas em que só se tropeça uma vez na vida. Também tens cá um feitiozinho que nem te digo, nem te conto mas eu adoro, quer dizer adoramos todos. Tu vê lá que és a única Gó que nós amamos!
É o primeiro aniversário que passo na tua companhia e nem sei quantos anos de vida fazes mas espero que seja o primeiro de muitos.
Que a tua doçura permaneça sempre nas nossas vidas. Nossa Gó!
Beijos a cair de parabéns e com confetis!
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